Pontinho

 Pontinho

Alegre, vivo, inesperado —
foi assim que você chegou:
um pontinho brilhante,
do mais cheio de cor.

Quis desvendar, tintim por tintim,
de onde vinha esse brilho
que dançava causando frisson.

E eu, que já medi o mundo
em mil voltas e distâncias,
recordei por um instante
que ainda sabia pertencer.

No meio da folia,
não havia como prender
nem razão pra fugir.

Era perceber
que é isso o movimento —
o que nos move por dentro.

E sentir o corpo leve,
como se a vida, antes inquieta,
voltasse a caber no peito.

Se um dia a gente se perder de vista,
que não seja por medo.
Que seja porque a terra pede movimento
e nós também.

Mas hoje
esqueçamos essa
de tomar cuidado com o fim.

Quero só esse aconchego,
esse seu jeito de ser
sem pedir licença.

um pontinho,
do mais cheio de cor.
E o mais bonito —
é como me encantou.

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